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| Portinari - Criança morta |
homem nordestino,
que larga a mulher e o menino
e vem para o sudeste,
atrás de um irrigado destino.
Do sertão não traz só saudade,
tem na pouca bagagem
um bocado de fome
e desnutrida na alma
uma esperança!
Aqui há chuva com abençoada
frenquência.
Triste é que não mata a secura
e sim a violência:
é bala perdida que encontra
criança entrando na adolescência.
Ou as águas que inundam a cidade
Quando, emporcalhados os rios,
ficam naufragados os pertences,
levados para longe os poucos valores
e afogada para sempre:
a paciência!
Não fosse esse lamentável atraso
em querer resolver a situação,
morrem também a fé e a esperança
de todo cidadão.
Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti






