sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Palavras de amor...

Sentiu-se dividida em azuis... (Moça na praia - 1961 - Dacosta)
Outro dia tentei acreditar
em palavras de amor que ouvia
em clima de inevitável surpresa.
Mesmo o céu parecia me avisar:
escute bem para não se enganar:
palavras de amor são belas,
de uma beleza que pode machucar.


Já estava quase acreditando,
mas resolvi acordar,
pois nem eram palavras de quem amo,
apenas de alguém que julgava me amar.
Foi numa quarta-feira de cinzas:
ouvi palavras que bem poderiam
minha alma ressuscitar!


Mas foram palavras de amor,
que foram belas ao ponto trágico
de apenas me machucar!

Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Coisas do destino

Fecho meus olhos. E o que vejo?
Os seus!
Sim, os vejo brilhantes como se fossem
um par de estrelas
sem rumo aqui na terra,
oferecendo aqui e ali o seu brilho
como mechas ambulantes!

Mas o que vendem não tenho
como comprar à vista...
Pois seus olhos brilham de amor
que já não depende mais de conquista.
Apenas o desejo secretamente
no decorrer de minha vida.

Fecho meus olhos e vejo os seus.
Que para minha profunda tristeza
nunca olharam para os meus.
Coisa do destino triste:
amar um par de olhos que brilham
para um céu que não existe!


Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti

Na tua presença

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Na tua presença
me transformo sem pensar,
mas quando se faz ausente
temo desaprender até mesmo
o simples ato de respirar!

Assim talvez morresse
sem ter do que me queixar.
Como, por exemplo, ouvir
aquelas tuas palavras de amor,
os teus planos de outros lábios
beijar!

Na tua mágica presença
esqueço e ignoro os meus direitos
e passo a viver e respirar deveres
que possam por ventura significar
a realização de teus sonhos e prazeres.
Para uns isso é exagero,
para outros é a loucura de amar!

Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti

Descalços na noite

http://4.bp.blogspot.com/

Parece loucura o que fazes:
andas com teus pés nus
e belos, porém frágeis.
Descalços na noite...
despidos de tristezas
caminham soberanos,
buscando certezas,
fugindo de enganos


Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Maioridade

Não há maioridade para o coração!
Em coração seremos sempre menores,
carecendo de mãos que afagam,
de palavras afetuosas que aconselham,
de presença que não nos deixa sentir
o frio da solidão!


Em coração seremos eternos infantes,
não importando se somos raspinhas do tacho
ou se desajeitados gigantes...
Para os nossos impetuosos e desajeitados corações
nada há de mais sagrado que o afago,
que o abraço protetor na hora das decepções.

Quando criança, choramos pelo pirulito
que o amiguinho distraído ou mal-intencionado
derrubou no chão...
Quando adultos, ainda mais choramos,
como se o nosso inevitável tamanho
não merecesse a mesma e abençoada atenção!
Tudo porque crescemos com o tempo,
mas permanecemos crianças
na simplicidade do coração!


Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti

terça-feira, 28 de setembro de 2010

No desenrolar das mágoas

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Quando um aperto
do coração toma conta
e a alma é comprimida
por uma dor insana,
não vejo outra sábia saída
que não seja a escrita.

Independentemente do papel
e das linhas...
O que conta é a emoção
que proporciona cor como a tinta,
colorindo de ponta a ponta
muitas vez um beco-sem-saída.

É assim que me desfaço
das mágoas sofridas,
dos espinhos cravados
em mãos tão tímidas
que não se intimidam
quando ordenadas pela poesia.
Aliviando o peito que outrora
de tristeza tremia.
Salve a poesia:
aos versos incertos
a minha certa alegria!


Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti

Resistência ao pranto

geometriadapedra.blogspot.com

Dificilmente alguém me verá
entregue ao pranto...
Geralmente minhas lágrimas
são feitas doutra substância:
palavras, palavras, palavras...
Mas não são raras as vezes
em que estas, no auge da angústia
me faltam...
Então, lágrimas humanas
rolam...
Se toda angústia minha
fosse na alma somada,
estaria o mundo perdido,
a terra, inundada.
Sorte transformar em verso e prosa
o que a alma sofre
silenciosa, seca, desgostosa!

Fonte: Um espelho só - Kelly Adriani Ferretti